A eleição do atual presidente do Palmeiras foi saudada, fora do clube especialmente, como uma espécie de novo advento, uma oportunidade de renovação da gestão do futebol profissional.
Boas e novas práticas vem sendo adotadas pela adm do clube, que tb está oferecendo uma atenção especial a sua área social.
Destacarei aqui um assunto, dentre tantos que estão na pauta do atual presidente: a sua visão da chamada "profissionalização do futebol".
Em geral, os que falam nesta assim designam apenas um abandono de uma criticada "emocionalidade" em favor de uma "racionalidade" ou "visão do bísnês futebol" (como diria uma dos inúmeros e refinadíssimos delegados da polícia civil de SP que fazem parte da direção do sccp).
Na imprensa esportiva, o cenário é mais simplista ainda: trata-se de conviver alegremente com os chamados "empresários" da bola...há os que sinceramente acham que o fato de fulano A passar a poder investir em direitos federativos de atletas (com o fim da lei do passe) tenha sido um grande passo na "libertação" do jogador de futebol.
O presidente da Sep, por sua vez, tem levado a discussão para o campo dos problemas da gestão conjunta dos negócios - de uma certa maneira retomando a idéia de uma liga dos clubes brasileiros, algo que deu seus primeiros passos na década 80 do século passado.
De lá para cá, no meio do caminho, apareceu a chamada lei dos bingos, quer dizer, lei Zico, que dizer, lei Pelé e a criação da liga, a gestão integrada dos interesses de todos os clubes da série A ficou relegada a segundo plano, enquanto assistimos a "invasão de nossa praia" pelos "empresários" e "investidores".
Na ânsia pela, sejamos bondosos, "inovação gerencial", até presidente de clube grande de sp foi flagrado em "tenebrosas transações" envolvendo os ditos "empresários" e farta distribuição de comissões nas transações de direitos de atletas.
A se dar crédito a algumas notas da imprensa, a própria Fifa tem estudado e está gestando medidas de controle do mercado, tendo em vista uma gestão de fato mais profissional e um planejamento do "negócio futebol" com um enfoque mais estratégico.
Belluzzo tem citado o exemplo da NBA nas entevistas que deu recentemente e, quem já teve oportunidade de ler sobre a organização da liga americana de basquete, sabe que estamos falando de grande centralização administrativa, grande intervenção nos contratos entre clubes, técnicos e jogadores, grande regulação e padronização de todos os aspectos comerciais da organização e venda de direitos dos campeonatos. Enfim, uma direção radicalmente contrária ao que predominou nos últimos 15 ou 20 anos no Brasil, no que diz respeito à discussão sobre os rumos do futebol nacional.
Será que o presidente Belluzzo está iniciando uma contestação do clima politicamente predominante dos anos 90 (privatizações + crença em certas inexorabilidades econômicas e mesmo comerciais + dissolução/enfraquecimento das instâncias coletivas de ação pública + controle monolítico do orçamento público por uma fração da classe dominante brasileira), agora no campo futebol?
Temos visto que, ao mesmo tempo em que promove este debate e nesta direção precisa, o presidente tem ido aos jogos, tem viajado com o time e frequentado (literalmente) as arquibancadas. Tem conversado com presidentes de outros clubes e, sempre que possível, tentado vencer os obstáculos e desmontar resistências em relação à colaboração entre os clubes. O que isto significa?
Quer o presidente dar um conteúdo nacional a este movimento de organização?
Quer uma modernização orientada segundo os interesses dos agentes e atores nacionais?
Seria a boa nova tão profunda assim?
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