Tá certo, é mera provocação. Mas admitirá, meu fidelíssimo leitor, ao final desta leitura que ou brincam demais com metatexto ou o chá da tarde anda tisnado por susbtâncias alternativas em alguns departamentos de Humanas de universidades por aí.
Por causa de amizades - ahhh como as mães nos advertem, em vão, sobre esta classe de relacionamentos! - destas amizades que nos inundam o facebook com links diversos, dia destes deparei-me com o site do NAU/USP, que me inspira no momento para este post. Clicou? Checou o link "artigos"?
Que há nas pessoas, que batizam assim seus textos científicos?
"Cidade universitária: patrimônio e identidade" e uns 12 outros artigos possuem orações coordenadas assindéticas ou vocativos separados por ":" ou por um mais tímido "-"
Para quê?
Saberemos melhor identificar o assunto tratado, por estar estar anunciado assim? Ou se trata de um abstract do abstract, colocado logo ali, na capa, para que nossa preguiça não se aborreça em virar uma página para descobrir do que trata o texto?
Antes que alguém, tendo isto como ilustração ou argumento, já critique os nacionais por criar o vício tolo, é justo esclarecer que a moda é antiga e vem de outros mares - afinal não inventamos a Antropologia!
olha só!
aqui tb!
Tendo a apoiar a segunda explicação. O metatexto é oferecido à preguiça subliminarmente atribuída aos leitores. E aduzo argumento totalmente fora de contexto, para assim paralizar meu virtual oponente retórico, vencendo a questão por paralisia facial e mudez: assistindo ao tv show da gostosa bolacha Ellen DeGeneres, gravei o exemplo que ela propôs para tese de que os americanos estão ficando preguiçosos demais - a bala em pó efervescente!
Ao perguntar "can't we even suck properly anymore?!", colocou uma chave de ouro, "a great punch line", em sua observação do cotidiano.
Será a preguiça um mal universal desta geração, será o nosso "mal du siècle?"
Será que nós, aqui, estamos preguiçosos a ponto de não viramos uma página ou abrirmos um link, se não houver o tal "abstract do abstract"?
Verermos nossos filhos consultando...
O capital: trabalho alheio não-pago, centralização de capitais e financeirização da produção de bens.
Totem e tabu: o sagrado e o proibido na infância da civilização.
1984: amormedo e covarderebelião numa sociedade totalitária.
Dom Casmurro: desvãos do amor e de uma amizade incerta no Rio de Janeiro de Pedro II.
?
Assinar:
Postar comentários (Atom)
2 comentários:
Oi Michel!
Também me irritam os dois pontos, mas é difícil escapar deles. Eu mesma uso de monte. Acho que não tem a ver com a preguiça, mas com a roda viva em que se transformou o trabalho intelectual no seu formato de produção acadêmica. Quanto tempo Marx demorou para escrever O Capital? Não me lembro, mas devem ter sido mais do que os 4 anos que levamos no doutorado, que ainda dividimos com bicos extras, aulas muitas vezes bobas, pareceres e comentários que somos "convidados" a dar, congressos a que temos de comparecer... E, claro, o doutorado é a última pesquisa que vc vai ter tempo minimamente para fazer se seguir essa carreira.
Vc pode argumentar que podemos passar sem isso. Concordo. Mas daí teríamos que achar algum outro trabalho pra fazer, porque o leitinho das crianças depende de um lattes bem recheadinho. E não só disso, inclusive.
Ou seja, nesse pega pra capar, ninguém tem mesmo tempo para ler todos os artigos e resumos de trabalhos, o que é péssimo. Concordo com você, mas acho o buraco mais embaixo: estamos falando de um triste tempo em que o trabalho intelectual é em grande parte trabalho alienado. Os títulos são assim na área da história e em outras das ciências humanas, pelo menos, que é o que conheço melhor. Que vida, hein?
Mas isso ainda não é o pior. O pior é quando as pessoas não lêem nem esses trabalhos cujo subtítulo mostra afinidade com suas pesquisas. Ou pior: quando as pessoas têm preguiça de ler e desenvolver suas próprias ideias, se apropriando do trabalho alheio. Isso virou uma epidemia. Tudo para se sobressair e garantir um lugar ao sol. Esse é o tipo de coisa que dá vontade de pegar a malinha e dar o fora. Bem, elocubrações e divagações minhas.
Boa a tirada da De Generes. Não acho ela tão gostosa...
Beijos!
p.s.: o gadget que te falei pra colocar não é o rss, mas sim o de "seguidores", como há no meu blog, logo acima dos marcadores. ele é realmente útil. me siga por lá e vc verá.
Postar um comentário