Uma das vantagens intangíveis ( ou nem tanto) da minha posição profissional é ter, à disposição da minha inclinação sádica no campo intelêquitual, seres sub-humanos expostos ao trabalho extenuante, sem sentido ou relevância, conhecidos nos escaninhos das áreas de RH como "estagiários".
Pois segue que, nestas tardes quase primaveris de setembro, é-me concedida a graça de torturá-los, sob o pretexto de educá-los com preleções sobre temas diversos. Hoje tivemos ilustrada a questão da natureza do belo, de seu fundamento talvez natural, inato, e de seu desenvolvimento condicionado por limitantes e vetores sociais, pessoais, afetivos etc.
Apresentou-me um dos seres mencionados como ingrediente de discussão, música feita pelo movimento punk inglês e americano.
Siga, leitor, os videos e músicas pelo universal iutube ou pelas caboclas rádios online, ligados aos nomes "Dead kennedys", "NoFx", "Rancid".
Como se define o belo universal? Como se define aquela sensação subjetiva de estar diante do verdadeiro (eureka!), do belo, do justo?
Pode se falar nela ouvindo isto?
Maxwell murder
Pelo estagiário, foi aduzido o argumento "social" sobre a rebeldia à disposição da juventude da periferia, "sem acesso à cultura formal", como forma de explicar a preferência, ou mais exatamente, o consumo exclusivo de tais produtos culturais.
Ad limine, a mera menção da existência do botão "dial" em todos os radinhos de pilha e aparelhos de som em geral indicou que o acesso ao clássico, ao jazz, ao instrumental brasileiro, ao samba, choro, polca, valsa etc, etc não é exatamente tão difícil e serviu para fazê-lo desistir desta linha de pensamento, ao menos ali, no calor da rêfrega.
Mas, eu mesmo "nunca tendo acesso" aos produtos culturais acima mencionados, cumpri nesta noite a tarefa de honestidade intelêquitual e ouvi de tudo isto e "see all videos" related...
Nenhuma experiência relevante se esgota em tão poucas horas de observação, mas confesso que tive de me refugiar em algo muuuito diferente...
Lábios que beijei
ou mesmo isto...
Lábios que beijei (Caetano)
"Compadecei-vos de meus ais"
"Volta, dá lenitivo a minha dor"
Já foi música popular...e continua belo.
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2 comentários:
Michelanea!!!!
Que coisa boa ter descoberto seu blog! Sua ironia refinada e algo "saramagatica" causou-me imenso prazer. Parabens! Vou "estar aguardando" novos posts! ;-) Lisa.
Caro animal, eu, em meio à minha limitada capacidade argumentativa, vou tentar expor alguns comentários:
1. Por que vc nunca falou desse blog? Ahhhhh, mais um espaço pra te encher o saco...uhhuuuuuu!
2. Legal ver que vc é aberto a outras experiências, acho que é o Bloch que fala que o historiador é movido pela curiosidade...
3. Concordo que o acesso à música clássica é grande, visto o exemplo da rádio Cultura, que vc mesmo deu na quinta-feira. Mas eu não voltei atrás na minha opinião, apenas disse que o jovem, mesmo tendo a possibilidade de acesso a esse mundo culto, superior, refinado, belo, REJEITA-O, CONSIDERA-O ESTRANHO, opta por continuar ouvindo o black estadunidense, por exemplo. Pensei exatamente sobre isso no fds, e cheguei à conclusão parcial de que o jovem não possui um pensamento crítico quanto a esses assuntos. Ele ouve o black e não entende a letra, mas gosta do ritmo e se identifica com o artista. Acho que vale para outros estilos musicais periféricos tbm. Não estou dizendo que ele não tenha pensamento crítico nenhum, mas que ele está mais ligado, geralmente, a questões que envolvem seu cotidiano. Por ex, a formação de um time de futebol: o jovem possui proximidade com a formação e estruturação da equipe, e sente-se confortável para criticar uma postura do outro, dentro ou fora de quadra. Agora, bombardeado pela música-lixo que aparece na mídia, ele ouve a rádio cultura e, imediatamente, muda de frequencia, pois nunca teve contato com esse mundo e não acha bela a música que está tocando. Sendo assim, será que nosso gosto musical tbm não é moldado culturalmente?
4. Não tô querendo generalizar, mas, em geral, acredito que é isso que acontece.
5. Comparação esdrúxula a sua entre Britney Spears e Clash...atualmente, os caras do Clash estão envolvidos em um projeto de reabilitação de presos, utilizando como propaganda a música "Jail guitar doors".
6. Discordo dessa desqualificação total por manifestações populares, mesmo as que importam estilos estrangeiros. A crítica deve ser feita sim, e eu concordo com as que vc fez, mas simplificá-las e jogá-las no lixo me parece uma postura equivocada e elitista.
7. Hoje: Cruzeiro 2X0Porcada
8. Te amo chefe!
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